O mundo parou; a polêmica obra, não

Nem com a cidade parada a obra pára
Maurício Maron

O mundo parou. O Ministério Público não agiu. A Câmara de Vereadores não foi obedecida. A pressão não funcionou. Nem a pandemia do Covid-19 conseguiu frear a polêmica obra da avenida Soares Lopes, que continua a ser erguida totalmente fora de contexto do Projeto do paisagista internacional Roberto Burle Max, por ordem única e exclusiva do prefeito Mário Alexandre.

Hoje. homens trabalhavam no local. A questionável obra está sendo erguida após um acordo estabelecido com um comerciante já instalado em imóvel próximo. Ele recuperou uma pista de skate na área. E, em troca, recebeu da Prefeitura uma valorizada área na praia para a construção de um novo empreendimento e cessão pelo período de 20 anos. Não houve licitação. A oferta foi definida pelo critério da pessoalidade, usando espaço público.

O vice-prefeito José Nazal ingressou no MP para que a entidade se manifestasse. Nada. A Câmara considerou a iniciativa um absurdo e solicitou ao preferito Mário Alexandre o embargo imediato da obra. Nada, também. De nada adiantou o apelo da cidade, que se manifestou contra a continuidade da parceria. A obra segue. A vida passa e Ilhéus dá mais um exemplo que a Terra dos Sem Fim, mais parece o fim do mundo.